Saturday, January 29, 2011

Todos os craques do futebol

Outro dia vi um pouco dum programa esportivo do horário de almoço e, entre um anúncio e outro das câmeras Tekpix, fizeram matérias que também pareciam merchans de jogadores. Alguns "consagrados" por uma ou duas boas temporadas recentes ou nem tanto, outros que nem terminaram de sair das categorias de base de seus clubes. No entanto, não pude deixar de notar a facilidade com que surgem "craques" no futebol brasileiro - mesmo ex-jogadores, como Neto (exímio cobrador de falta, mas pouco mais que ídolo corinthiano), ganham esse nobre título quando conversam com seus colegas de microfone.

Entendo pouco de marketing, mas fica evidente que esta estratégia (desonesta) serve apenas para motivar o torcedor a consumir mais deste produto que se deteriora lentamente, o futebol brasileiro. Enquanto medalhões voltam para enganar torcidas e extorquir clubes, a nata dos gramados migra para a Europa num fênomeno que já merece um documentário como os que mostram a savana africana - "Jogador brasileiro: Rotas do verão europeu", que tal? Tirando um ou outro caso de jovem que continua por aqui - caso do meu desafeto Neymar, que apesar de tudo é um bom jogador e, por enquanto, Paulo Henrique Ganso -, mas estamos comemos as migalhas que caem das mesas italianas, inglesas, alemãs, espanholas, portuguesas e até do Oriente Médio.

Resta, assim, empurrar mortadela para o espectador e faze-lo crer que saboreia um tenro filé. Como diz o hino do América carioca, "Campeõs... fabricamos aos montes, aos dez", às centenas e ininterruptamente. Ou, no caso da ESPN Brasil, é possível ser feliz com uma tigela vazia - desde que o "vira-lata" brasileiro consiga olhar para as mesas dos estrangeiros e se imaginar como um dos participantes do banquete: desde que criaram o termo "fã do esporte", o público não está mais preso pelas correntes de torcida por um clube, nacionalidade ou distância física. Porém, para a vasta maioria sem senso crítico para refletir sobre o que ouve durante uma transmissão de jogo, qualquer jogador que acerte três dribles numa partida merece uma vaga na Seleção e vira um novo Garrincha.

Kerlon, vulgo Canhoteiro

Friday, January 28, 2011

Bolacha, fim de janeiro

Algumas fotos para registrar o tamanho da Bolacha. Daqui alguns meses posto novamente como um "antes e depois".


Comendo DENTRO do pratinho

Mais uma. Ela já cresceu um pouco desde que chegou

Tuesday, January 25, 2011

25 de janeiro

Amanhã tem final da hoje ridícula e inchada Copa São Paulo de Futebol Júnior, acredito que disputada por Flamengo e Bahia - ambos serão honrados com minha total indiferença. Nesse dia também se comemora o aniversário da capital paulista - a terra da garoa virou terra das enchentes no decorrer desses quase quinhentos anos de sua existência. Poderia citar muitos outros fatos e aniversários de vida e morte desse dia (como a assinatura do Tratado de Montevidéu, Robinho e Al Capone, respectivamente), mas o assunto mais pertinente ao post é o aniversário de um ano morando só.

Lembro bem daquele dia quente e ensolarado em que liguei o aparelho de som com Black Sabbath ecoando por um "apertamento" abarrotado de caixas. Lutei para montar a cama que ainda está em meu quarto enquanto ouvia mais uma vez o Sabbath Bloody Sabbath. Em um ou dois dias consegui botar a casa em ordem e aí a aventura começou. Como já escrevi tudo no blog (o que valia a pena e um tanto de material irrelevante junto, óbvio), farei apenas uma rápida retrospectiva.

No dia seguinte à minha chegada fiz minha primeira entrevista para retornar à IBM. Comecei a perder um pouco de peso por não ter à mão todos os doces e biscoitos recheados que estavam sempre à mão em minha antiga casa - acontecimento que levou meu pai a suspeitar que eu passava fome. Conheci alguns vizinhos, principalmente a vizinha de porta Lucila, que depois de alguns meses tornou-se minha namorada. Voltei a trabalhar na IBM, fiz uma ou outra pequena mudança (ainda tenho um quadro enorme no chão que corre o risco de nem ser pendurado), parei de usar a conexão sem fio de algum vizinho explorado caridoso e arrumei um bicho de estimação, a hamster Bolacha.

Para encerrar, agradeço à minha família, à minha namorada, aos meus amigos e aos leitores do blog. Agradeço honestamente a torcida e o carinho, já que teria sido bem mais difícil fazer tudo isso sem apoio de ninguém.

Carregado nos ombros dos amigos, valeu, galera!

Wednesday, January 19, 2011

Death metal em três atos

Neste domingo conheci o Sebastian Bar, espaço para shows de Campinas que geralmente bota em seu palco bandas de hard rock e afins. No entanto, hoje, data em que completo oito meses de namoro e que meu pai faz aniversário, subiram ao palco três grupos que representam momentos diferentes do Death Metal: Exhortation, Laconist e Thriven, na ordem em que foram citadas.

A primeira banda foi interessante e fez um som simples e direto. Destaco o baterista Rodrigo, que espanca seu instrumento com a tranquilidade de quem executa um solo de jazz. A vocalista Aline parece ser o diferencial e o chamariz da banda, tanto pela sua boa aparência quanto pelo seu vocal gutural bem feito, deixando muito marmanjo no chinelo.
Exhortation
Vinte minutos depois foi a vez do Laconist, banda dos amigos Glauco e André Neil. Se a banda não é um poço de criatividade (bom, quem no heavy metal consegue realmente ser?), os músicos compensam com a agressividade de suas composições e com presença de palco devastadora. Os riffs trituravam o público como mós dum moinho de vento sob os gritos do meu amigo vocalista viking. Boa apresentação, fui principalmente para ve-la e matou minha saudade de shows.
Laconist, com André na esquerda e Glauco na direita
Finalmente, foi a vez do Thriven. A banda se enquadra num perfil mais moderno do death metal, com integrantes tocando com roupas coloridas, cabelos curtos e músicas com trocentas mudanças de andamento, pausas e vocais rasgados. Confesso que via esses "novatos" com certo preconceito, mas ao vivo reconheço que o impacto dessa bagunça organizada está muito acima das minhas antigas expectativas. Por mais que uma banda não tenha músicos exímios , esse caos todo dá muito trabalho para ser criado e o resultado fica interessante e imprevisível.

"Ah, aí está a criatividade que você procurava!", alguém pode ter pensado. A primeira banda que fez isso na história (Dillinger Espace Plan?) talvez seja o estalo de craitividade do estilo, porém a tendência é que muitas caiam no lugar comum de tentarem ser inovadoras trilhando exatamente os mesmos passos da precursora - como as muitas bandas progressivas que faziam exatamente o mesmo som sem progresso algum na década de 70. Caso o pessoal do Thriven não cometa esse erro de serem criativos ao modo da banda X, acredito que podem "dar liga", assim como os pedreiros do Laconist e a competente Exhortation - se for para tentarem passos maiores, que saibam usar essa arma chamada Aline.

Formação atual do Thriven

Jogo perdido

Hoje não verei o jogo da Ponte. Minha mensalidade do Torcedor Camisa 10 está paga, estou me coçando de vontade de ir ao Majestoso, é a primeira partida em casa no ano, estou em plenas condições físicas (já perdi jogos por estar doente, infelizmente), porém dessa vez não poderei estar na arquibancada pois a ridícula diretoria do clube acatou a decisão de realizarem a partida na quarta-feira, às 17:00.

Parabéns, Carnielli e asseclas, por prestar mais um desserviço ao torcedor.

Sunday, January 16, 2011

Bolacha

Demorou meses, mas finalmente arrumei um bicho de estimação. Ganhei bem no meio do mês de janeiro o presente de Natal da minha irmã, presente esse umA hamster marrom e branca. Ela tem a cabeça, os ombros e o bumbum com pelagem mais escura enquanto o "tronco" e o queixo são bem claros, exceto por um risquinho nas costas. Apesar da minha vontade de batiza-la com algum nome imponente (pensei em Anna Karênica, Svetlana e Katrina), notei que ela tem as mesmas cores dum biscoito Oreo e, por isso, achei que o nome mais justo seria Bolacha. Agora que escrevi isso notei que o nome está incorreto já que o nome correto do doce é biscoito mesmo, mas haters gonna hate.

Com o bichinho comprado e a gaiola já preparada, chegamos ao apartamento e abri a caixa para que Bolacha saísse. Com a afobação e o pânico que só esses roedores conseguem sentir, minha mascote saiu da caixa com um duplo twist carpado e caiu de cabeça dentro da gaiola. Após alguns segundos de suspense, no entanto, ela se endireitou, levantou e começou a farejar o novo ambiente. Logo de cara ela começou a passar por dentro dum tubo que ficava dentro dum papel higiênico. Poucas horas depois ela aprendeu a entrar no prato de ração (é, ela ainda é tão pequena que cabe dentro do prato, seria como uma criança entrando numa banheira de Fandangos) e, enquanto eu jantava, ela percebeu que a rodinha servia para ela correr - e como tem corrido, minha nossa!

Aqui vai a primeira foto dela. Como minha máquina é uma bem vagaba que comprei para visitar estádios, fico devendo uma foto melhor, mas essa é a Bolacha:
The Oreo Palace

Como ela ainda não entrou na casinha, ela fica no canto

Pausa para a água

Saturday, January 15, 2011

1984 - Parte 11

Mais uma vez chega o verão e com ele o Big Brother Brasil. Época de "pouca roupa e muito chifre", como estã num texto que não sei se é legitimamente de Luís Fernando Veríssimo, mas que resume bem quais são os chamarizes da atração global: corpos em evidência e polêmicas. Aliás, pelo número de edições já disputadas, acho que já tem gente boa em palpitar caso se façam bolões de quem vai sair na Playboy, na sua "prima pobre" Sexy e na G Magazine.

Assim como de um lado surge a histeria dos fãs do reality show, há também a firme resistência de quem não assiste, ou melhor, de quem odeia com todas as suas forças um reles programa de televisão. "Big Brother não acrescenta nada!", exclama alguém que certamente passa noites ponderando sobre qual lado tomar, se o de Russell ou se o de Wittgenstein. Eu mesmo já tive essa postura arrogante, mas ao notar que não via o programa para jogar videogame, ficar de bobeira no MSN ou, na melhor das hipóteses, ler alguns livros de história (mas nada lá muito enriquecedor), vi que não estava em condição de ser tão crítico com os fãs do programa.

Resta apenas tentar entender como esse programa pode causar emoções tão intensas, tanto de um quanto de outro lado. Há quem assista e se justifique com o discurso de que o programa "é uma boa oportunidade de estudo sociológico". Ora, se quase vinte adultos ardilosos são interessantes, o que dizer de dezenas de milhões que torcem e gastam tempo votando em seus ídolos? O melhor do programa, penso eu, está aqui do lado de fora da casa. Aos que visitarem o blog e não forem fãs do BBB, não pense "lá vem a Fulana de novo falando do programa", pense "por que ela torce para o participante X?" ou algo além. Talvez aí um brother vai ajudar a revelar o verdadeiro caráter de quem está ao seu lado.

Orwell, muito antes de imaginar para que sua obra viraria

Thursday, January 13, 2011

Tatuagens

Fazia algum tempo que eu não postava link nenhum, portanto, aí vai o tumbr Fuck Yeah, Tattoos!:


Há quase dois anos tenho ensaiado uma tatuagem em homenagem à minha mãe, mas sempre faltava dinheiro. Como  consegui acertar minhas finanças ("acertar" nunca é um termo muito apropriado hehe), acho que em 2011 ela sai do papel - só não sei ainda se farei com o Luís Trash (é, o nome não ajuda muito, mas ele é um excelente tatuador que já "rabiscou" dois amigos meus) ou com o Xandó, que já fez a bandeira do estado de São Paulo no meu braço.

Tuesday, January 11, 2011

Férias

Aparentemente, todo o prédio está de férias. Senhoras, estudantes, a síndica, os eternos hóspedes como o menino Enzo, até as vizinhas do andar de cima que me acordaram tantas vezes com seus saltos e tamancos. Todos parecem ter evaporado com a chegada de 2011, exceto os porteiros e alguns moradores do meu andar. "Alguns" pois até minha cara metade, minha amada, minha namorada Lucila partiu em viagem para a praia com seu pai e sua irmã enquanto fico abandonado em Campinas. Qualquer semelhança com o episódio de Chaves em Acapulco é visível e significativa, apesar de que meu abandono foi muito pior - o menino do barril não namorava a Chiquinha.

Ok, agora sério e sem mimimi, é estranho ver como o edifício vira um recipiente vazio com a saída de pouco mais de dez estudantes. Conheço apenas um ou outro, sei o nome de três ou quatro, mas não há mais movimentação e mal ouço o elevador de manhã. No máximo sou parado pelo mesmo velho amigo que sempre tem alguma nova cilada para se meter - e claro, me contar. Já havia sido alertado pela antiga faxineira de que ele era um falastrão e um contador de histórias... mas se ele inventa "causos" interessantes, por que não ouvi-lo? 

Ele recebe convidados, mas também conta as piadas
Mais: o homem mora sozinho, passa  a maior parte do dia debatendo política com um dos porteiros e parece ter perdido contato com sua ex-esposa e seus filhos. Já aposentado, tem pouco mais a fazer na vida do que atacar o PT, tentar resgatar a honra do combalido PSDB e principalmente passar tardes contando seus feitos (reais?) a quem se dispõe a ficar alguns minutos em sua companhia. Ironicamente, quando os jovens voltam de férias é que o nosso homem descansa.

Sunday, January 9, 2011

Hamstersitting

Mais uma vez fui incumbido da responsabilidade de cuidar do hamster de minha namorada e vizinha, o infatigável Golias. Enquanto escrevo minha namorada está em São Paulo, prestes a viajar para o Nordeste e eu estou olhando o mascote "tomando" banho (ele se limpa mais ou menos da mesma forma que o gato). O legal é que logo ele vai ganhar um amiguinho: eu havia comprado gaiola, serragem e outras partes do lar do roedor, mas não comprava o bichinho pois teria que passar um tempo na casa do meu pai cuidando dele após sua operação. No entanto, como a operação foi adiada indefinidamente, não passarei mais um longo período morando com ele e minha irmã. Portanto, agora poderei comprar meu hamster!

"Será que o Luiz vai comprar o Ronaldinho Gaúcho?"

Essa semana também tentarei adotar uma nova rotina, com academia antes do trabalho e a noite livre. Vai ser exaustivo cair da cama às 6 para ir treinar, mas acho que valerá a pena a longo prazo, principalmente para ter as noites livres.  Para minha surpresa, tentei fazer isso algumas vezes e não terminei o dia "moído", já que musculação pode dar disposição para quem a pratica.

Por enquanto é isso, relativa tranquilidade no trabalho e na vida pessoal. Assim que comprar um hamster, posto algo aqui. Se bem que, se tudo correr bem, terei mais tempo para comentar notícias por aqui.

Tuesday, January 4, 2011

Premier League pt-BR

O penúltimo dia de 2010 causou uma onda de revolta e indignação abrasiva por todo o Twitter graças à infeliz dublagem do filme Crepúsculo, exibido na Globo. A epopeia dos sugadores afeminados teve seu primeiro episódio exibido pela Globo, duramente criticada por fãs da série graças a pérolas como “macaquinha” ou “gorilinha gostoso”, termos carinhosos ditos pela equipe brasileira de dubladores No entanto, a decepção maior do público foi o vampiro protagonista, Edward, ter sido rebatizado como Eduardo.
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Poucos dias antes a Federação Paulista de Futebol e os clubes chegaram à decisão de estabelecer um valor mínimo para o ingresso do estadual de 2011: R$ 30,00 – o mais caro do Brasil, apesar da meia entrada a R$ 15,00. Enquanto fluminenses desembolsarão dez reais a menos para assistirem jogos de seus times, gaúchos e mineiros gastarão um terço do valor da entrada paulista para ir a campo (valor que, pessoalmente, considero o correto para um jogo de futebol). Presume-se então que torcedores paulistas têm mais dinheiro para gastar com futebol do que habitantes de outros estádios, mas as médias de público desmentem essa hipótese.

Fica então a impressão de que o Paulistão tornou-se uma versão Temperatura Máxima da Premier League: com anos de atraso, a Globo exibe em suas tardes de domingo uma versão requentada e mal traduzida/dublada do multimilionário original inglês. Preços de ingressos e controle da rede transmissora foram copiados com êxito, enquanto muitas características se perderam.

Estádios modernos (tem gente que liga para isso, então esse ítem também deveria estar no pacote), retorno financeiro aos clubes – apesar da escolha das próprias diretorias de aumentar preços, estádios vazios são um desperdício de potencial financeiro - e principalmente nível técnico dos campeonatos estão muito abaixo do original britânico. Assim como o global Eduardo Cullen, Fabregas vira Fabrício, Heitinga é “apelidado” de Tinga, Duff torna-se Durval e Didier Drogba é chamado de... Finazzi.

Mogi Mirim 1 x 0 Corinthians
A insatisfação une, portanto, fãs da série de filmes e do moribundo futebol graças à paupérrima adaptação que chega ao público brasileiro/paulista. Marmanjos barbados e adolescentes com calores em suas partes íntimas assistem suas paixões serem adulteradas e transformadas em coadjuvantes de seus próprios palcos enquanto a turma dos bastidores continua a se divertir e a colher os melhores frutos.

Saturday, January 1, 2011

2011 chegou

O novo ano já está aí. Não vejo ninguém nas janelas, nas ruas e nem no meu prédio. Até a avenida mais próxima está tranquila, com a passagem de um ou dois carros a cada dez minutos. Acordei cedo para tomar um chimarrão e bloguear/blogar (??) um pouco sobre a virada do ano. Como trabalhei ontem até perto de 19:00 com possibilidade de ficar por mais três horas não deu para fazer muitos planos para o grito de ano novo, então peguei o caminho mais garantido: ceia e culto na igreja que minha irmã frequenta, a Batista Central de Campinas.

Chegamos cedo, uma hora e meia após minha saída do trabalho. Cumprimentei muita gente, pegamos uma mesa num canto afastado e fiquei com minha irmã, dois casais de amigos e uma moça com um vestido um pouco mais ousado do que o contexto permitiria - costas à mostra numa comemoração que envolvia culto e orações... Mas vamos lá. Após uma rápida apresentação dum tenor que interpretou Nessun Dorma e La Donna è Mobile, começou a comilança e, pouco antes das 22 subimos para a nave principal do edifício.

Não conheço a rotina de trabalhos do Pastor Natal, mas esse me pareceu mais um culto "Show da Virada", já que falaram dos destaques do ano, sobre o trabalho com as Células e houve um breve sermão sobre perseverança. Sobre as Células: são subgrupos que agem dentro da igreja, sob a tutela de um líder e organizam-se encontros, acampamentos, trabalho voluntário, doações... Um trabalho legal, principalmente porque esses grupos têm uma certa autonomia e liberdade de ação. Após essas palavras do pastor e uma última música, começaram os cumprimentos pela chegada de 2011.

Achei interessante notar a receptividade dos membros da igreja, principalmente pois eu era alguém de fora e via gente andando por metros para me cumprimentar - gente que nunca vi e que nem sei se verei novamente. Não havia também avareza nos cumprimentos: abraços eram distribuídos fartamente, enternecedores e até com tapinhas nas costas. Enquanto escrevia esse parágrafo lembrei que o pastor já havia proposto, no começo do culto, uma pausa para que as pessoas se cumprimentassem e a única diferença para o momento da virada foi a abrangência da busca por pessoas para abraçar - neste momento, abraçava-se apenas quem estava nos bancos anteriores e posteriores.

Depois refleti sobre esse contato coletivo e principalmente o contato físico. Hoje um simples toque e a violação do espaço pessoal (que termo...) pesam muito mais do que deveriam. Ao pegar um ônibus duas pessoas sentam-se uma ao lado da outra e pede-se desculpa caso o joelho de um passageiro encoste em seu vizinho. Há até uma certa coerção contra quem é "pegajoso" e dá um aperto de mão mais longo ou conversa com a mão no ombro de seu interlocutor. Confesso que não sou um desses, mas aos poucos tentarei aumentar um pouco meus toques e prolongar os apertos de mão - mas só um pouco, isso é difícil para mim e inconveniente para os outros.

O contato físico tem algo alentador e reconfortante, seja numa igreja, num estádio de futebol ou num mosh pit. Acabei surpreso por ter gostado tanto desse ano novo entre tantos desconhecidos, ainda mais porque planejava passar a virada sozinho. Eu sei, é algo estranho,  seria um ato antissocial, mas acho que lá no fundo, em algum canto do porão do meu subconsciente, começou a ecoar uma frase de Travis Bickle: "Eu acho que um homem deve se tornar uma pessoa como todo mundo". Acho que entrei em contradição com meu Questionário de Proust e me conformei. Preferi evitar os questionamentos logo nos primeiros dias do ano por um caminho mais seguro, mas pelo menos a escolha valeu a pena.

Como eu queria passar o Ano Novo até poucos dias atrás

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