Monday, February 28, 2011

Aborrescente

A hamster Bolacha cresceu, completou alguns meses de vida e agora está uma mocinha. Suas glândulas de cheiro já estão evidentes - e passei um sufoco por achar que ela estava com uma ferida enorme no tronco - e acredito que ela começou a entrar no cio. De acordo com a vendedora do pet shop, a frequência é semanal, dura um dia e a fêmea exala um forte odor. Além disso tudo, acho que outro efeito colateral é o desespero para sair da gaiola. Neste sábado ela ficou doida para sair, escalou os cantos e até se pendurou no teto - isso tudo depois de meia hora rolando por aí com a bolinha.

Vejam um dos dias em que ela estava surtada e pensem: será que a TPM feminina é tão ruim quanto se diz?
 

Saturday, February 26, 2011

A que ponto chegamos

Já não é novidade a fogueira de vaidades em que se transformou o futebol, com jogadores que disputam flashes e closes de câmeras com artifícios como chuteiras coloridas, cabelos de personagens de desenhos animados japoneses, celebrações de conquistas com a camisa vestida ao contrário (e o nome do jogador exposto em seu peito) e, principalmente, jogadas de alto potencial para sucesso de Youtube, mesmo que seja um malabarismo de pouca ou nenhuma utilidade para uma partida.

Posteriormente a sede de visibilidade passou pelos alambrados e atingiu os torcedores. Lembro duma partida entre Ponte e Corinthians (vitória de virada por 2 a 1 para o time campineiro no Paulista de 2010) em Campinas, em que um ou outro torcedor mais entusiasmado quase invadia o campo e até danificava parte da cerca que separa o campo das arquibancadas pois, numa tentativa de ser exibido para o resto do estado num jogo da rede, seu apoio efusivo ao time e seu sobrepeso rompiam partes da frágil estrutura. Isso é apenas um caso de um jogo, quem vai ao estádio mesmo que esporadicamente pode citar casos assim.

Depois do torcedor, vítima natural da paixão (eterna álibi e cúmplice de absurdos do esporte), até os tão ponderados e sérios dirigentes saíram de suas tocas e buscaram o calor das luzes de estúdios e câmeras. Hoje qualquer diretor de assuntos gerais, administrador de questões internas ou outros beneficiados com o cabidal de emprego que é a presidência dum clube pode dar entrevistas e colher louros pela boa fase do seu empregador. Vejam bem: "boa fase", pois as crises são o período de hibernação desses "aspones" onipresentes.

Marco Aurério Cunha, dono de marketing pessoal inversamente proporcional  à sua altura

Durante esta semana, porém, um fato inusitado mostrou como o futebol parece ter um toque de Midas e que todos que são tocados pelo esporte julgam-se dourados. O Palmeiras viajou até o Piauí para enfrentar o Comercial em partida válida pela Copa do Brasil. Vitória palestrina por 2 a 1, as duas equipes vão precisar se enfrentar novamente, o Porco ainda é franco favorito... nada que fuja do roteiro esperado durante a semana, porém a participação do massagista Bombinha, do time nordestino, foi o elemento surpresa do jogo.

Quando um dos jogadores do Comercial caiu no gramado, Bombinha foi chamado e saiu em disparada na direção do atleta contundido. Correu, aproximou-se, soltou sua bolsa e...



Um atleta contundido necessitava de ajuda e o profissional da saúde que deveria atende-lo prefere perder tempo com uma cambalhota, tentando colher alguns segundos de aplauso ou até quem sabe uma entrevista - há visibilidade, já que o jogo é contra um grande clube! Minha namorada até foi solidária ao artista circense e disse que esse foi seu grande momento, pois conseguiu seu tão sonhado holofote. Muito bem, mas é triste ver como essa busca pelos quinze minutos de fama se alastrou dentro dum esporte - é verdade que ela está em todo lugar, mas se até o outrora coadjuvante massagista quer brilhar, prefiro não imaginar a puxação de tapete que acontece na alta cúpula dos clubes.

Wednesday, February 23, 2011

Zappeando

Como o blog estagnou um pouco (tentei escrever sobre a aposentadoria do Ronaldo, mas não gostei do post), vai aí um vídeo: Dweezil, filho de Frank Zappa, interpreta a música Cheepnis ao vivo.

Saturday, February 19, 2011

Obras - II


Por enquanto, a obra do outro lado do quarteirão está com cara de... entulho? Uma árvore derrubada, restos do muro substituído por uma cerquinha frágil e uma pequena pilha de tijolos. Não dá para ver bem, mas há uma poça de água causada pelas fortes chuvas da última semana no canto inferior direito. Por enquanto é isso, resta torcer para que comecem logo.

Wednesday, February 16, 2011

Monday, February 14, 2011

Lead role in a cage

Limpar a gaiola da hamster Bolacha é uma tarefa um pouco ingrata, já que semanalmente passo pelo trabalho de coloca-la em sua bolinha, separar um pouco de serragem limpa para reutilização (assim ela não estranha a gaiola nova), jogar fora o restante, passar água fervente com sabão em pó, enxaguar, passar um pouco de álcool, mais água quente e então colocar a serragem nova, reorganizar as partes como bebedouro, prato e casinha e devolver a moradora ao seu lar.

No entanto, desta vez, reparei como parte da dificuldade vem da própria beneficiada, que não ajuda ou até atrapalha por não entender o que acontece ao seu redor. Mas também, imagine receber um objeto desconhecido, entrar nele e ser solto num mundo em que tudo é novo e tentador. A cada vez em que ela resolve correr com a bola para cima de algum ralo, preciso parar tudo para resgata-la (e isso só atrasa mais a limpeza). Essa pausa se repete também quando ela fica presa em algum canto ou quando desaparece, já que preciso ver se ela ainda está na bola ou se a tampa se soltou - nesse caso, alerta vermelho. E, assim como ela não sabe da minha intenção, não sei se estou cortando o barato dela.

Porém, numa das vezes em que fui tirar a roedora do perigo, lembrei duma frase do elefante Horton e pensei: "no meu mundo, sou apenas uma pessoa normal. Porém, para a Bolacha, eu sou um colosso". É uma metáfora  sobre religião feita no filme do simpático paquiderme, em que um ser menor e muito frágil é protegido por um ser descomunal que não pode ser visto e foge à compreensão do protegido.

Em perigo? Deixar cair ou amparar
Pois bem: minha protegida sabe que existo pois conhece meu cheiro, minha voz e minha mão, mas não sei se ela consegue somar as três partes em apenas uma. Além disso, providencio comida, água, limpeza, proteção, carinho e até entretenimento. No entanto, todo domingo a noite é uma repetição do acesso de fúria da pequena, que não entende que toda a faxina na gaiola é feita para o próprio bem dela. É numa escala muito menor uma prévia do que será não deixar: uma criança ganhar um presente no shopping e aturar um eventual escândalo, um filho ficar de bobeira depois da escola ou a filha de doze anos ir a uma festinha na casa dum amigo. 

Claro, com doze anos uma criança (sim, ainda se é criança com essa idade), por mais que já tenha juntado todos os componentes e criado uma impressão sobre seu pai, ainda não reuniu todas as facetas do tutor e não consegue compreender seu trabalho, ainda mais quando há lados em questão que estão muito longe da compreensão do pequeno - principalmente o campo profissional. Olhando para trás e nem tão longe, consigo ver que já fui o hamster que tenta roer os limites da gaiola para se livrar do que era melhor para ele - porém, quem nunca foi?

Além disso, imagino que a maior dificuldade da paternidade será a perda da capacidade de me colocar no lugar dum filho, ainda mais com todas as inseguranças típicas da adolescência - como faze-lo acreditar que o cabelo dele não é estranho ou que tal  parte do seu corpo não tem nada de errado? Enfim, acho que não resta muita opção além de puxar de perto do ralo filhos e hamsters mesmo que eles esperneiem, xinguem e reclamem - ou que eu interrompa a diversão inofensiva deles, quando faltar diálogo.

Friday, February 11, 2011

Em obras


Obras no "quintal". Prédio? Centro comercial? Casa? Barzinho? De qualquer forma, agora começa a série de barulhos logo cedo.

Friday, February 4, 2011

Ponte Preta, um grande negócio

Antes que a notícia se espalhe, já vou divulgar a bomba e conseguir o furo jornalístico antes de toda a imprensa nacional: uma grande multinacional irá patrocinar a Ponte Preta durante o ano de 2011. As quantias e o período do contrato ainda não foram definidos, mas o acordo já é certo, porém a multinacional definiu algumas cláusulas contratuais e algumas prometem levar o ambiente corporativo ao estádio Moisés Lucarelli. Para não melar a negociação, chamarei esta empresa de... HAL.

Primeiro haverá uma série de reuniões para definir metas, estabelecer quais serão as métricas para controles (como acuracidade e um scorecard para mensurar os destaques em cada área, entre muitas outras peças duma sinfonia de planilhas) e a instalação duma auditoria para sanar dívidas da administração anterior. Com a casa arrumada, será então o momento de contratar novos recursos, digo, jogadores. Uma equipe especializada do RH deve entrevistar as peças do elenco atual para definir quem é necessário e quem deve ser realocado. Comprometimento, habilidade e trabalho em equipe serão os valores necessários para quem deseja permanecer na equipe.

Você estaria disponível para fazer horas extras?
Após a liberação de alguns colegas de trabalho já não tão produtivos, chega a hora de contratar jogadores. Currículos serão aceitos para processo seletivo dividido em fases: teste de aptidão, exames médicos, entrevista por telefone, dinâmica de grupo (o Se Vira nos 30 dos desempregados) e, finalmente, entrevista gerencial - Gilson Kleina pode continuar, mas Oswaldo de Oliveira é um nome bem cotado. Encontros descontraídos como happy hours e retiros para promover sinergia serão proporcionados pelo clube visando criar um ambiente de trabalho saudável e aberto à diversidade de tantas vivências e necessidades.

O time, já montado e sinérgico, passará por uma pré-temporada em Hortolândia, onde gerentes administrativos e do futebol promoverão workshops e palestras, com ênfase em temas como motivação, comprometimento, sede por desafios e aprendizado. Este último ítem, aliás, tem destaque especial, já que a HAL visa o aperfeiçoamento constante de seus profissionais. Será implantada inclusive uma planilha para medir o grau de experiência de cada jogador em cada área, facilitando assim a mobilidade do recurso caso deseje se candidatar a outras vagas, digo, posições (um zagueiro com bom skill de visão de jogo pode tentar uma se candidatar a volante, por exemplo).

Aqui temos um crescimento de 7% no acerto de passes com a perna ruim! Parabéns!!
EM CAMPO

Em dias de jogo, o elenco terá uma breve reunião (vapt-vupt, só uma hora) para apresentação de resultados recentes, indicação de pontos a serem melhorados e informações para o próximo confronto. A preleção termina com uma dinâmica de grupo proposta pelo RH com o objetivo de promover um ambiente mais saudável.

O time então entra em campo pronto para encarar desafios. O treinador com perfil de gerente orienta seus comandados com o cuidado de não desestabilizar o ambiente pacífico. Há incentivo ao diálogo para que as relações inter-pessoais entre jogadores não sejam prejudicadas, porém é preciso observar a maneira mais correta de fazer um feedback construtivo (e nunca negativo): "OLHA A CAGADA!" após um volante perder a bola na intermediária deve ceder lugar ao mais polido "Vamos lá que ainda dá para recuperar esse setback!".

Intervalo! Hora de descansar, recuperar as energias e, se for aniversário de alguém, comer um bolo no vestiário – afinal, descontração e glicose sempre proporcionam um ambiente de trabalho animado. Entre uma mordida e outra, o treinador recebe o status de cada posição e pode adequar seu time à demanda que surgir durante a partida. Caso surja uma situação desfavorável à organização (como um recurso indisponível por ter levado um carrinho violento, resultado negativo ou falta de skill para finalização de jogadas), um rápido brainstorm será realizado para que soluções sejam propostas – e, após dois ou três jogos, a HAL envia carta à Fifa pedindo aumento do intervalo de quinze minutos para uma hora e meia.

Em caso de derrota ou empate, os impactos serão mensurados e discutidos por diretores para definir quais ações devem ser tomadas. Nomeação dum novo gerente, realocação dos recursos dentro do projeto e até implementação de novos modelos de gestão são medidas cabíveis para reversão de períodos prolongados de metas não atingidas. Caso nada mais dê certo, o outsourcing é a solução final e aí o investimento todo vai para o Vasco... de Goa, Índia. No entanto, se o time ultrapassar as expectativas e atingir suas metas, ah! Aí os atletas ganham até uma bola de sorvete ou uma caneta!

Francescoli, PBC 1 após o projeto Libertadores

Wednesday, February 2, 2011

Dois anos

02/02. Dois anos após o sepultamento de minha mãe, uma ou outra ferida insiste em permanecer aberta (serão crônicas, acho). Ainda penso bastante nela, mas nesse tempo percebi que tenho deixado para trás as recordações e passo mais tempo com a mente no futuro, centrado nas realizações que ela não verá de perto: casamento, filhos (ou, no caso dela, o prazer de segurar em seus braços um neto), realização profissional. No entanto, acredito que ela fez seu papel com louvores e que seu corpo resistiu bravamente aos anos de luta contra o câncer - menos tempo do que meu egoísmo gostaria, mas muito mais do que muitos outros suportariam.

Como eu disse no Dia de Finados, essa data é para lembrar os falecidos distantes, já que os próximos nunca são esquecidos por muito tempo. O segundo dia de fevereiro é parecido: embora lembre mais da minha mãe em dias como este, nunca consigo esquece-la de verdade. Enfim, fica aqui minha breve homenagem, apenas para não deixar a data passar em branco.

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