Monday, March 28, 2011

Ardência

O hamster, apesar de ser um animal de estimação que pode ser encontrado nos pet shops com uma certa facilidade, não desfruta de grande popularidade. É difícil achar veterinários especializados, há muitos que insistem em chamar os bichinhos de "ratos" e o principal inconveniente é a quantidade de informações desencontradas a respeito destes animais. Vendedores, outros donos, um veterinário e um escritor conseguiram todos ser discrepantes em algum ponto ou outro. O mais absurdo foi o caso da hamster Carmela, que após algumas semanas se transformou em Golias pois um rapaz que atendia numa loja de Campinas não soube identificar os dois gêneros.

Posteriormente, na mesma loja, uma moça vendeu corretamente uma hamster fêmea (Bolacha, que já foi mostrada aqui), porém ela disse que o cio do animalzinha aconteceria uma vez por semana. Semanas depois ela entrou na "puberdade" e, assim como se diz sobre pessoas em condição de carência extrema, subia pelas paredes da gaiola - e até pelo teto, como no vídeo que postei aqui. "Legal, agora ela virou mocinha", pensei. Porém cada dia de agitação, desespero e quedas era seguido por dois de tranquilidade (e estafa?) até que o ciclo fosse reiniciado.

Foi assim por cerca de vinte dias até que as escaladas e ataques se tornaram diários. Quando fui atrás de informações a respeito da vida sexual do hamster, aí começou a bateção de cabeça: cio semanal com duração de um dia, cio a cada três dias com um de duração, cio semanal com dois dias de duração... alguém deve ter razão em seu palpite, mas hoje já suspeito que a Bolacha sofre apenas de ardência nas ilhargas, vulgo "fogo no rabo" e que acorde toda noite - já que o hamster é noturno - em ritmo de funk carioca.

Bonitinho, simpático e de rabinho aceso, igual à Bolacha!

Saturday, March 19, 2011

Setorização

Jogo da Ponte em partida válida por algum torneio nacional, em seus domínios, contra algum time de outro estado. Como a situação é corriqueira, nem preciso inventar detalhes como o nome do adversário, sua região ou o campeonato disputado. Porém, para facilitar meu trabalho, vou apenas chamar o rival de "América". Pois bem, falta pouco para começar o jogo e a torcida começa a ocupar seu lugar nas arquibancadas do Majestoso.

Renato, no meio de seus vinte e poucos anos, se aproxima do portão de entrada das cadeiras vitalícias após tomar uma cerveja comprada de um vendedor de rua. A cadeira é alugada, pertence a uma viúva que não vai mais ao campo desde que seu marido faleceu e ela não conseguiu mais lidar com tantas recordações de Moisés Lucarelli. O rapaz chega perto de um dos policiais que vai lhe revistar, o cumprimenta com um aceno de cabeça e ouve um "boa tarde" como resposta. O militar pede licença, passa a mão levemente pelas laterais do tronco do torcedor, pede para que o boné seja retirado e o dispensa com um desejo de bom jogo.

Roberto, ainda na "fila" para a entrada da arquibancada comum, apenas observa a massa à sua frente se arrastar lentamente rumo às catracas. Todos já se misturaram, algumas pessoas cortam a ordem com a desculpa de que encontraram um conhecido e as discussões só aumentam a desordem e a demora para a entrada. A execução do hino nacional deixa todos apreensivos e já se pede mais agilidade dos policiais militares, mas a única reação destes é mandar um soldado passar perto do público para tentar intimidar os mais exaltados. Alguns atritos surgem, torcedores se irritam, mas há muito mais gente para acalmar os mais furiosos do que para trocar agressões físicas.

Finalmente Roberto lidera a coluna de "macacos" e é chamado para a revista com um gesto sutil do soldado. Sem dizer nada levanta o boné de Beto, aperta a região de suas costelas, os bolsos de sua bermuda e a região entre suas coxas. Algo no bolso direito levanta suspeita e o PM pede para ele seja esvaziado, mas é apenas um chaveiro de um pouco pontiagudo. Tudo em ordem, então o pontepretano é liberado com um "pode ir" dito entre os dentes enquanto o próximo a ser inspecionado é convocado com um leve aceno de cabeça.

Por último, temos André, que não está nas vitalícias nem na arquibancada. Está no setor de visitantes com outros torcedores do América. O ônibus foi vítima da opção dos líderes da organizada de não pagar pela escolta dos policiais e foi avariado por uma pedra arremessada contra uma janela próxima da traseira, no lado direito e por um tijolo jogado contra o parabrisas. Ninguém foi atingido, todos chegaram bem, mas tiveram que esperar sentados no chão por vinte minutos até que fossem liberados pelos policiais sem receber explicação alguma - apenas um sermão longo adornado com dezenas de ofensas. 

Depois de revistarem mochilas, ônibus e até o bagageiro do veículo, foi a vez de conferir os visitantes, mas encostados no muro do estádio e de costas para a rua. Chutes foram usados para que os pés tivessem um certo espaço entre eles para a revista do cós, bolsos foram revirados e qualquer tentativa de um torcedor olhar para trás foi repelida com um "vira pra frente, seu filho da puta!". Quando finalmente todos foram checados, o policial a frente da operação mandou que os torcedores fossem comprar seus ingressos rapidamente e que entrassem sem gastar mais tempo do lado de fora.

"Todos são culpados até que se prove o contrário"... era isso, né?
 André foi à bilheteria, comprou sua entrada e recebeu um empurrão pois esperava um amigo fazer a compra. "Eu falei pra não ficar embaçando aqui, porra!" berra o colérico capitão paulista enquanto ameaçava puxar o cassetete. Finalmente dentro das arquibancadas, o torcedor americano tentou se aproximar da torcida rival para provoca-la, mas foi novamente ameaçado por policiais da divisa de setores. Desanimado, sentou-se no centro do setor de visitantes e observou como os torcedores do time da casa podiam xingar a vontade com poucas (ou nenhuma) repreensão. Também observou como alguns setores mal eram policiados enquanto os visitantes eram minoria frente aos oficiais que cobriam esse pedaço do estádio. Finalmente, percebeu que a melhor parte de comprar um ingresso melhor, ironicamente, trazia mais vantagens do lado de fora da cancha.

Thursday, March 10, 2011

Vencendo(?)

Charlie Sheen foi o principal personagem hollywoodiano do ano - e duvido que seja superado no resto do ano. O ator, famoso por estrelar os filmes Platoon e Top Gang, além da série Two and a Half Men, concedeu uma entrevista à CBS em que expôs suas festas, seu vício por drogas e sua vida sexual agitada. Nada disso surpreenderia muito, já que o ator sempre foi um renomado mulherengo e havia rumores sobre dependência química - esta entrevista, aliás, foi dada pouco depois que Carlos Estevez (seu nome real) foi internado alegando fortes dores estomacais, embora vários fãs tenham pensado automaticamente em overdose. Porém, o impacto e o mal estar causados pelas revelações do astro são da mesma natureza do caso Wikilealks: por mais que se acredite e se comente um boato, a transformação de buchicho em fatos ainda assusta.

As consequências dessa torrente de honestidade foram imediatas: o restante da oitava temporada da série foi cancelada, ele foi demitido e Charlie chegou a perder a guarda dos filhos, mas já chegou a um acordo com a mãe deles. Além disso, virou fenômeno na Internet com sua conta do Twitter: reuniu mais de dois milhões de seguidores em menos de um mês e transformou a hashtag "Winning" em meme. Virou ídolo, não sei se pela extensa lista de mulheres que já conquistou ou se é por encarnar o "rockstar", esse personagem mítico que esteva ausente dos holofotes por anos (ainda restam alguns Keith Richards, inclusive o próprio, mas estes acabam sendo endeusados e rapidamente trocados por novos ídolos). Prefiro acreditar que Sheen chegou ao trono da idolatria neste momento por ter criado rachaduras no status quo da indústria do espetáculo.

A indiferença do capacete do personagem foi muito menor que a do ator

Assim como Ricky Gervais, ator inglês que apresentou o Globo de Ouro deste ano e foi banido das edições vindouras por tecer comentários inconvenientes, Charlie Sheen causa incômodo pois bagunça com a perfeição artifical de Hollywood. Atores e atrizes podem ter seus lapsos, exagerar em um ou outro momento (desde que consigam justificar o deslize), mas ter um vício e viver muito bem com ele? Ter suas aventuras expostas e espalhadas aos quatro ventos? Tudo isso foge do protocolo: assim como os filmes, a vida de esbórnia e luxúria do panteão do cinema também precisa ser ensaiada,  bem produzida e produzida por uma equipe de ponta.

Charlie tornou-se, de acordo com sua própria definição, um "vencedor desempregado". Perdeu o emprego, perdeu os filhos, perdeu uma imagem até então só alvejada por fofocas, perdeu oportunidades que viriam... muitas perdas para um autoproclamado vencedor. No entanto, um astro iconoclasta que faz da própria destruição seu palco de triunfo é uma personalidade notável e digna de atenção até que os próximos eventos se desenrolem.

Saturday, March 5, 2011

Carnaval

Menos amargo do que no ano passado, devo passar novamente o Carnaval em casa, desta vez por ter que trabalhar normalmente durante a próxima semana - em 2010, estava gastando pouco por não estar empregado e também pois poderia  surgir algum passo processo seletivo mesmo durante o feriado. Em 2011 passo o fim de semana com a família de minha namorada (o pai chega daqui a pouco e a mãe com os irmãos amanhã), o pessoal vai para Araras passar o resto dos dias. Enquanto isso, vou correr atrás dum vazamento do meu banheiro no apartamento de baixo, trabalhar de casa na segunda-feira e terminar de assistir a trilogia Bourne, já que comprei um "box" e até hoje só vi o primeiro filme.

Para não dizer que passarei o Carnaval em branco, amanhã almoço na feijoada da Casa Rio*, um bar obviamente com estilo carioca do distrito de Sousas. A casa só recebe sambistas e chegou a ter os Demônios da Garoa como músicos fixos em todas as quarta-feiras de agosto do ano passado. Além da música, outra atração é Pipoca, garçom dançarino que já foi inclusive mestre-sala da escola Nenê de Vila Matilde e que faz pausas no expediente para subir ao palco e até dançar com algumas clientes.

Enfim, é uma opção mais tranquila e o lugar é bem agradável. Como não terei que enfrentar hordas de bêbados mijões, periguetes com suas doenças venéreas apontadas para mim e pitboys enfurecidos - além da excelente trilha sonora - e o programa vai ser mais família, topei. Caso contrário, minha amargura anti-carnaval voltaria com tudo. Mas para quem gosta da festa, excelente Carnaval!

Carnaval ideal (pelo chimarrão e pela paz, mas com minha namorada)
* Cuidado quando entrarem no site, tá com uma música alta demais.

Wednesday, March 2, 2011

Hello, Vietnam

Descobri via Twitter esta coleção de fotos da guerra do Vietnã e algumas imagens são muito boas - embora parte da extensa coleção seja um tanto pesada. Há também manifestações contra e a favor da intervenção americana no conflito asiático. Confiram aqui.


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