Saturday, December 31, 2011

E se...

o homem nasce, morre, cria, se diverte, aprende e até sai para jantar sozinho, que mal há que eu passe a virada de ano desacompanhado? No fundo, quero apenas me convencer de que isso é natural enquanto busco alguma solução milagrosa até o último segundo: meus mais de seiscentos contatos do Facebook pouco serviram para arrumar alguma festa ou bebedeira para a recepção de 2012 - em grande parte devido ao meu egoísmo de aguardar convites e não faze-los. Por mais que o fechamento de fim de ano tenha me feito trabalhar no sábado, ainda seria possível programar algo pois eu imaginava que estaria livre antes da virada.

Enfim, todas estas conjecturas não adiantam para mais nada. Que esta virada de ano solitária fique marcada como a somatória de todas as vezes em que me afastei em vez de me aproximar de alguém.


Sunday, December 25, 2011

2011

Mais um Natal, mais um ano novo, mais uma oportunidade de refletir sobre o ano que termina e o futuro que se aproxima, além das costumeiras promessas de reveillon que nem sempre sobrevivem até o Dia de Reis. Confesso que não tenho grandes planos para 2012: sigo no espanhol até o meio do ano e não sei se estendo as aulas por mais um módulo, talvez viaje até o Rio ou Montevidéu para um pequeno tour futebolístico (os extremos da reta entre arteirice e futebol huevudo, mas ok) e pretendo voltar à musculação depois do Carnaval - não começo antes pois o mês de janeiro será o último de grandes gastos com o fim do pagamento duma reforma em meu banheiro e o período em que finalmente farei uma tatuagem em homenagem à minha mãe. Aliás, tatuagem essa que será a forma que achei de gastar meus dez dias de férias compulsórias que terei logo na primeira semana de janeiro, pelo menos poderei ficar em casa sem camisa enquanto a pele do meu ombro cicatriza.

Olhando para trás, o ano foi de muito aprendizado e crescimento com acontecimentos como o fim do namoro, os desafios que enfrentei - e enfrento - no trabalho, a conquista de novas amizades e as peculiariades destas pessoas que entraram em minha vida. As principais lições de todos esses âmbitos foram: dar mais a cara a tapa, me arriscar mais e temer menos o fracasso ou a rejeição e, principalmente, a confiar mais em minhas capacidades. A viagem para Buenos Aires, assim como essas situações listadas vagamente acima, me ajudaram a aprender o valor da iniciativa e dos riscos calculados, já que me afastei tanto de casa para assistir partidas de futebol de times em crise num país de língua que eu até então desconhecia.

Esta ida à capital argentina, aliás, foi dos pontos positivos do ano ao lado da viagem para Porto Alegre, desta vez com o encontro com vários amigos conhecidos através da eterna comunidade orkutiana Futebol Arte é Coisa de Viado. Recentemente tive a oportunidade de rever também o pessoal paulistano da FAECV, no dia em que o Santos foi massacrado pelo Barcelona na disputa do Mundial. Apesar de não significar muito, uma descoberta foi o Bar do Wili, que apesar de relatos de que sua clientela mudou e hoje está mais "emplayboyzado", ainda é agradável e suspeito que achei um bar de estimação. Aproveitando a deixa, entra aí mais uma meta para o ano vindouro: sair mais e aproveitar melhor os bares da vizinhança quando as minhas finanças estiverem em ordem.

Sair mais, no entanto, não seria a meta principal e sim gastar menos do meu tempo livre na internet. Claro, conheci muita gente legal através desse meio em 2011 e algumas destas pessoas me marcaram muito, mas pretendo fazer com que o mundo ao alcance das minhas pernas seja mais interessante que o guardado sob minhas mãos. Encerrando, um feliz Natal a todos e um ótmo 2012 também.

Feliz Natal, turma! (Montagem da amiga Mari Sabaini, que morre de inveja da Bolacha)

Sunday, December 18, 2011

Domínio

Mais uma vez o futebol, acidentalmente, escreve uma fábula, com todas suas lições de moral e metáforas. Não escreverei um "O peixe e o buldogue" ou "A calopsita e a pulga", até para não parecer um profeta do que todos já sabem. Porém, mesmo em meu ceticismo do meio de semana não imaginei que o catalão Barcelona pudesse sobrepujar tão violentamente o Santos: 71% de posse de bola, quinze finalizações a três, vitória por 4 a 0... Sem muito esforço, a equipe espanhola transformou um adversário condecorado com o título de campeão da Libertadores da América no que parecia um elenco de juniores em jogo que bastou um pouco de esforço e ainda menos de interesse - apenas o suficiente para dominar o oponente. Mas chega do Barcelona, o interessante aqui é o Santos.

Arrozado pela imprensa - e não só a esportiva - e até por torcedores de outros times, o clube caiçara passou meses dentro duma bolha de elogios utópicos. O clube jogava por música, Neymar era sim um jogador à altura de Messi, o Mundial seria apenas um palco para o duelo dos dois jogadores e muitas outras palavras que distorceram qualquer parâmetro a respeito das qualidades (inegáveis) santistas. Até Muricy, sempre tão sensato em entrevistas, menosprezou o técnico espanhol Guardiola ao dizer que não havia provado nada por não ter treinado no árduo futebol brasileiro.

Pois bem: o cirúrgico Barcelona dominou o jogo, Messi brilhou, Neymar não viu a cor da bola e Muricy fez aquela cara de guri mijado costumeira. O Santos ainda vai sobrar no futebol brasileiro e deve fazer uma bela Libertadores 2012. Neymar deve ficar mais uns bons anos no Brasil e só sair para jogar no seguro Campeonato Espanhol, onde seu porte físico ainda lhe permita jogar - algo improvável na Inglaterra, na Itália ou na Alemanha, para citar os grandes eixos - e brilhar mesmo em cima dos outros grandes do futebol brasileiro. Porém, que sejam mais precavidos, já que em terra de cego, basta ter um olho para achar caminhos errados.

Resumo do jogo, com o Barcelona aplicando o triângulo


Friday, December 16, 2011

Feed the Head

Conheci este jogo há anos, creio que na época de faculdade, ou seja, provavelmente por volta de 2005, 2006. Enfim, Feed the Head é uma brincadeira em Flash com uma cabeçona interativa: arranca-se o nariz, puxa-se a orelha, o olho lacrimeja com o cursor do mouse e dessas surgem várias outras manifestações. Achei inclusive que já havia fuçado e esgotado todas as possibilidades, mas na busca de imagens do Google descobri que é possível fazer crescer cabelo, manchas e até um cavanhaque. Segue o LINK para jogar um tempo fora.

Layne Staley?

Tuesday, December 13, 2011

Majestoso II

Já que o Brasileirão acabou e agora o calendário esportivo se resume a alternatividades como amistosos de atletas que rumam à aposentadoria, esportes de menor importância, resolvi descrever o projeto que bolei para o novo estádio da Ponte Preta. Sim, "estádio" e não "arena", já que nunca entendi como esse termo foi adotado para descrever qualquer puxadinho planejado para receber jogos de qualquer clube do Brasil.

Enfim, seguem abaixo os principais pontos sobre a obra copiada descaradamente das canchas de países vizinhos, um potencial altar contra os shoppings com gramados na área interna que Grêmio, Palmeiras e tantos outros planejam fazer.

Nome
Feito sob a administração Carnielli, receberia o nome de algum ex-jogador, conselheiro ou nome importante da cidade (Magalhães Teixeira? Orestes Quércia?). Porém, mais importante seria o apelido dado pela torcida. E aqui, não me atrevo a tentar prever o rumo do pensamento de toda uma gente.

Localização
O local já está disponível e está muito bem localizado: na esquina da Barão de Itapura com a Andrade Neves, onde ficava a antiga rodoviária. Hoje abandonado, o terreno e suas redondezas já estão plenamente aptos a receberem um estádio: há botecos, rede de hotelaria, há a facilidade de acesso proporcionada pelo encontro de duas grandes avenidas e, claro, há a proximidade da nova rodoviária. Como o espaço é pouco para um estádio - mesmo que acanhado - algumas casas das ruas Barão de Parnaíba e Marquês de Três Rios teriam que ser demolidas para o espaço comportar as novas arquibancadas.

Este lado de dentro do bairro, evidentemente, seria a localização do portão pelo qual entrariam os torcedores visitantes. As ruas estreitas e de trânsito caótico serviriam para causar tocaias de usuários de crack, ponte-pretanos ou até de ponte-pretanos usuários de crack.

Arquibancadas e proximidade do campo
Por falta de espaço e interesse meu, as modernas cadeiras de plástico não seriam utilizadas. Poderiam ser construídos dois lances de arquibancadas num ângulo vertiginoso, um plágio vergonhoso de La Bombonera, com a "correção" do campo mais baixo do que o original argentino - assim não se perderia aquele espaço no começo do anel inferior da bancada. Atrás dos gols, alambrados altos, com cerca de sete ou oito metros de altura e outros menores nas laterais (talvez os cerca de dois metros e meio atuais já sirvam). 

E se a linha lateral atualmente já é próxima da arquibancada, creio que a distância possa ser reduzida ainda mais com a eliminação do "corredor" que separa o alambrado dos degraus da bancada e do espaço de pista de atletismo que passa por trás das placas publicitárias e gera aquele enorme vazio atrás das metas. Assim, as linhas do campo seriam contornadas de perto e separadas do público por uma distância de meio metro ou menos.

Se não dá para avançar, então o céu é o limite
Acomodações
Como nem tudo nessa vida é várzea, um pedaço de uma das laterais teria que receber imprensa, vitalícias, área de cadeirantes, setor VIP e demais espaços confortáveis e bem frequentados. Para alegrar a vida destes abastados torcedores e profissionais, estes seriam postos no setor Dicá, assim ficariam protegidos do sol da tarde. A lateral oposta, apelidade carinhosamente de setor Monga, seria o espaço para o torcedor comum, em todas as suas cores e classes sociais. Atrás de um dos gols, o setor Gigena seria uma geralzinha de ingressos a R$ 5,00 receberia os ponte-pretanos mais humildes. Do lado oposto, o setor Leandrinho receberia os infelizes dos torcedores adversários que não fossem sequestrados pelos habitantes da cracolândia campineira. Caso falte espaço para construir atrás do gol, que os visitantes fiquem na ponta do estádio.

Dias de jogo
Frequentadores que desfrutam do comércio de ambulantes no pré-jogo precisariam se aventurar na rua no melhor estilo do jogo Frogger, driblando carros e motos para buscar mais latas de cerveja, principalmente no lado da Barão de Itapura, então cuidado aí. No interior, para-avalanches seriam necessários para evitar que torcedores se esmagassem após qualquer desequilíbrio no mar humano do setor Monga: degraus mais baixos e inclinados podem significar o apocalipse após qualquer gol, discussão ou tropeço de algum macaco com sobrepeso. Falando em obesidade, não sei se haveria espaço para uma "lanchonete", então a alimentação teria que ser baseada em pipocas, churros e pastéis vendidos por vendedores que vagam pelo meio da torcida (a mão que alimenta é a mesma que não deixa ver o gol). 

Para criar uma atmosfera e embalar a torcida, o time entraria ao som de Thunderstruck, do AC/DC. Claro, há a corrente que quer a construção duma moderna arena inclusive para receber shows de grande porte. Porém, como Campinas está muito perto de São Paulo, tenho minhas dúvidas se turnês desviariam suas rotas para o interior - fora que a quantidade de eventos necessários para tornar a arena viável acabaria com o gramado, fazendo assim o campo se tornar uma casa de shows.
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Enfim, segue aí meu projeto que nunca sairá do papel e nem voltará a existir. O futebol seguiu em frente, o mundo mudou e nem é mais possível construir algo perigoso assim, porém dá para sonhar com um inferno acanhado e intimidante destes.

Com certeza cabe um estádio pequeno aí

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