Saturday, September 10, 2011

Críticas

Ontem a noite a Ponte Preta sofreu um duro golpe na disputa da Série B do Brasileiro: empatou com o Icasa, como visitante, em partida que vencia até os quarenta e oito minutos do segundo tempo. Pior: o empate veio num gol de cabeça desferido dentro da grande área, quando o time de Campinas tinha três zagueiros mal-posicionados no lance. O resultado foi péssimo, a covardia do técnico Gilson Kleina é angustiante, o acesso ainda é bem possível apesar desses tropeços que deveriam ser evitados... ou seja, não há nada de muito novo ou diferente de tudo que aconteceu nos últimos anos - exceto pela chance mais palpável de voltar à elite - mas achei a reação de parte da torcida curiosa.

Apesar do resultado revoltante para qualquer torcedor com um mínimo de senso crítico, ainda assim houve um coro de otimismo. Tudo bem se fosse apenas para lembrar que nem tudo está perdido, mas preocupa a "ditadura" que policia até quem critica querendo o que é melhor para a instituição. Fazendo uma comparação simplória: se uma criança quebra uma vidraça após chutar uma bola enquanto brinca, é melhor que o pai use este momento negativo como embasamento para cobrar uma melhora de seu filho ou que o guri receba elogios e presentes mesmo após uma atitude condenável?

Talvez eu fique com imagem de "corneteiro"* por escrever esta defesa do crítico, mas acho melhor isso do que fazer parte do rebanho do conformismo. Se é necessário acreditar, acredito querendo o que é melhor para o clube e exijo mais porque quero uma Ponte Preta grande e sei que há potencial para isso. Os dois tipos de torcedores, apesar das posturas distantes, caminham na mesma direção, porém acho que é preciso ter mais cuidado com o foco do apoio, principalmente se ele for incondicional como tanto se prega: apoie-se o que é duradouro, não pessoas que vão durar no máximo poucos anos e talvez nem serão muito relevantes para a história do time.

"Gostei desse Edinho Cabeção que trouxeram pro ataque"
* Acho que não tem termo mais banalizado nas arquibancadas do que este. Não sei qual foi a sua origem, mas vejo o corneteiro como aquele torcedor que se dispõe a perseguir o técnico ou algum jogador com o qual antipatize (geralmente aquele volante ou meia com média alta de passes errados) desde antes da partida começar. Esse encosto passa então mais de noventa minutos agredindo verbalmente seu(s) alvo(s), independentemente de seu desempenho naquela partida ou até de partidas recentes - o que importa é apenas a implicância com o cornetado e quanto mais gratuita ela for, mas perto o cidadão está do rótulo de corneteiro.

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