Saturday, February 26, 2011

A que ponto chegamos

Já não é novidade a fogueira de vaidades em que se transformou o futebol, com jogadores que disputam flashes e closes de câmeras com artifícios como chuteiras coloridas, cabelos de personagens de desenhos animados japoneses, celebrações de conquistas com a camisa vestida ao contrário (e o nome do jogador exposto em seu peito) e, principalmente, jogadas de alto potencial para sucesso de Youtube, mesmo que seja um malabarismo de pouca ou nenhuma utilidade para uma partida.

Posteriormente a sede de visibilidade passou pelos alambrados e atingiu os torcedores. Lembro duma partida entre Ponte e Corinthians (vitória de virada por 2 a 1 para o time campineiro no Paulista de 2010) em Campinas, em que um ou outro torcedor mais entusiasmado quase invadia o campo e até danificava parte da cerca que separa o campo das arquibancadas pois, numa tentativa de ser exibido para o resto do estado num jogo da rede, seu apoio efusivo ao time e seu sobrepeso rompiam partes da frágil estrutura. Isso é apenas um caso de um jogo, quem vai ao estádio mesmo que esporadicamente pode citar casos assim.

Depois do torcedor, vítima natural da paixão (eterna álibi e cúmplice de absurdos do esporte), até os tão ponderados e sérios dirigentes saíram de suas tocas e buscaram o calor das luzes de estúdios e câmeras. Hoje qualquer diretor de assuntos gerais, administrador de questões internas ou outros beneficiados com o cabidal de emprego que é a presidência dum clube pode dar entrevistas e colher louros pela boa fase do seu empregador. Vejam bem: "boa fase", pois as crises são o período de hibernação desses "aspones" onipresentes.

Marco Aurério Cunha, dono de marketing pessoal inversamente proporcional  à sua altura

Durante esta semana, porém, um fato inusitado mostrou como o futebol parece ter um toque de Midas e que todos que são tocados pelo esporte julgam-se dourados. O Palmeiras viajou até o Piauí para enfrentar o Comercial em partida válida pela Copa do Brasil. Vitória palestrina por 2 a 1, as duas equipes vão precisar se enfrentar novamente, o Porco ainda é franco favorito... nada que fuja do roteiro esperado durante a semana, porém a participação do massagista Bombinha, do time nordestino, foi o elemento surpresa do jogo.

Quando um dos jogadores do Comercial caiu no gramado, Bombinha foi chamado e saiu em disparada na direção do atleta contundido. Correu, aproximou-se, soltou sua bolsa e...



Um atleta contundido necessitava de ajuda e o profissional da saúde que deveria atende-lo prefere perder tempo com uma cambalhota, tentando colher alguns segundos de aplauso ou até quem sabe uma entrevista - há visibilidade, já que o jogo é contra um grande clube! Minha namorada até foi solidária ao artista circense e disse que esse foi seu grande momento, pois conseguiu seu tão sonhado holofote. Muito bem, mas é triste ver como essa busca pelos quinze minutos de fama se alastrou dentro dum esporte - é verdade que ela está em todo lugar, mas se até o outrora coadjuvante massagista quer brilhar, prefiro não imaginar a puxação de tapete que acontece na alta cúpula dos clubes.

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