Monday, April 9, 2012

Harry [1/2]

Após mais de uma década em que alternei momentos de desinteresse, apatia e até de preguiça, finalmente comecei a acompanhar a saga do bruxinho Harry Potter. Ainda nos anos em que cursei o ensino médio já via matérias e mais matérias sobre as toneladas de livros vendidos e de como a série ocupava as primeiras colocações nos rankings de obras mais vendidas do planeta. Em 2001, perto do início da faculdade, o lançamento do primeiro filme mostrou que as adaptações cinematográficas fariam sucesso proporcional (se não maior) ao dos livros, ainda lançados paralelamente. E assim, de longe, fui acompanhando aquela sequência arrebatadora de estreias, quebras de recordes e permanência duradoura nas listas de filmes mais populares do Brasil, dos Estados Unidos, da Europa e de qualquer outro canto do mundo. 

Apesar de todo o estardalhaço causado por cada filme e cada livro, achava que aquele universo criado por J. K. Rowling era voltado apenas ao público infantil e... bem, eu acho que estava certo. Graças aos empréstimos da amiga Raquel Linhares, comecei a assistir os filmes. No começo Harry é um garoto submisso à criação opressiva de seus tios e de seu primo Duda. Quando completa onze anos, no entanto, é convidado a ir para Hogwarts, onde aprenderá magia, fará amigos e descobrirá sobre seu passado, além da razão da morte de seus pais (também bruxos). As duas primeiras obras, sobre a Pedra Filosofal e a Câmara Secreta, são mais alegres, com cenas mais bem iluminadas, espaço para muitos personagens menores - não só Hermione e Rony, os amigos mais próximos de Harry, mas vários outros estudantes como colegas da casa de Grifinória (uma espécie de fraternidade de estudantes dentro de Hogwarts), professores, a família "trouxa" de Harry e até os rivais da casa de Sonserina.

O trio de Grifinória: Ronald Weasley, Hermione Granger e Harry Potter
Porém, já no terceiro filme a tônica das aventuras começa a tornar-se mais pesada. A fotografia recebe tons mais sombrios. Seres de aparência que lembram a morte, os dementadores, evidenciam a guinada que a série deve sofrer com as crescentes ameaças que se aproximam de Harry. Além disso, a história deixa um pouco de lado os personagens menores que citei acima e foca principalmente sobre o trio formado pelo protagonista, por Rony e Hermione. O conflito principal, que envolve a fuga dum priosioneiro do presídio de Azkaban, ocorre enquanto o jovem estudante começa a sofrer dúvidas sobre suas virtudes, suas inclinações e até se a casa à qual pertence é a melhor para si, pois acha que talvez se encaixaria melhor entre os de Sonserina - dualismo entre os caminhos do bem e do mal muito semelhante ao de Anakin Skywalker em seu caminho entre a Força e a salvação de sua esposa usando artes ocultas.

Voltando à série do tema do post, parei no quarto filme: Harry Potter e o Cálice de Fogo. Aqui o tom infantil é deixado completamente de lado, primeiramente devido à entrada da turma na adolescência: precisam dançar em casaizinhos, achar pares para um baile, sofrem as primeiras decepções amorosas - e como fiquei com dó de Hermione, tão chateada porque o seu amigo Rony a via como um amigo de saias e só a convidou para o baile quando já não havia mais ninguém para chamar. Quanto à história principal, Harry é inscrito de maneira suspeita num torneio entre escolas de bruxaria - ele ainda não tem a idade mínima permitida para a inscrição - e precisa passar por testes de dificuldade muito superior às capacidades que se espera que um adolescente de catorze anos tenha: uma metáfora mais sutil da adolescência, momento das expectativas de adulto alternadas com tratamento infantil. Creio que a quantidade de cenas de humor serve para amenizar um pouco alguns eventos fatídicos e intensos como o as provas do torneio, o retorno de Voldemort, o risco de morte de Harry na cena do cemitério e o assassinato de Cedrico Diggory.

O retorno de Voldemort e o confronto com Harry
Aproveitei a pausa neste ponto, exatamente no meio dos oito filmes, para escrever este post. Mas por que começar a assisti-los tão tarde e não ignorar a série, simplesmente? Ora, como já falei, achava que era algo infantil e os dois primeiros filmes provaram que eu estava certo - até fui alertado algumas vezes sobre isso. Porém, quando os filmes começaram a ficar mais sérios e mais pesados, minha curiosidade só não era maior que minha desmotivação - como correr atrás duma epopeia que já somava mais de doze horas em vídeo quando resolvi me interessar por ela? Por mais que me interessasse e tivesse curiosidade de conferir os filmes, estava estacionado em minha preguiça e felizmente encontrei alguém que, além de possuir todo o acervo de películas, estava disposta a me doutrinar e se prontificou a emprestar os filmes. Assim comecei minha "peregrinação" e tenho assistido tudo de cabo a rabo - e gostado dos filmes, que têm um ritmo leve, mas são episódios bem escritos: enquanto um arco menor da história é aberto e encerrado a cada novo vídeo, algo maior também se desenvolve um pouco mais devagar, mas ainda de maneira que faça o espectador se manter interessado. Creio que logo a ordem se inverta: as histórias narradas em cada filme devem diminuir e a trama de Voldemort, monopolizar a história. Assim que terminar dou meu pitaco sobre a segunda metade da saga.

1 comment:

  1. Que bom que você está gostando. O próximo passo é fazer você ler O Guia do Mochileiro das Galáxias. hahahahaha

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