Sunday, January 1, 2012

Nas ruas

Contrariando o post anterior, enjoei de ficar em casa após um longo expediente de home office e a virada de ano sozinho, então resolvi sair um pouco apenas para dar uma volta, respirar um pouco e espairecer. Por volta de 00:30 desci à portaria e, sob uma fina garoa e um pouco de névoa dos fogos, tome a Júlio de Mesquita. Subi a Silva Telles com a intenção de ir à região dos bares para achar algum movimento e algum bar aberto, mas no caminho fui interrompido por um homem que pediu um dinheiro para comprar pinga. Pela honestidade e pelo inusitado do encontro, dei todas as moedas que tinha na carteira. Logo em seguida minha irmã me ligou para nos encontrarmos e fui com ela até sua igreja, quase como no ano passado, mas hoje peguei apenas o fim da festa.

Hoje de manhã acordei cedo para ir à casa da minha família e almoçarmos juntos. As ruas desertas, a garoa que ainda persistia em molhar Campinas e todo o comércio fechado davam uma sensação de estar em Silent Hill, apenas com a troca de aberrações medonhas por agentes de trânsito. Após andar por um trecho da Norte-Sul e subir pela ponte próxima ao balão do Galassi, reparei no contraste entre a concentração dos prédios do Cambuí e do Centro mais afastados e o casebre com um galinheiro e outros bichos logo abaixo do local onde eu estava. Assim que puder capturar uma boa imagem, publico-a no blog.

Após o almoço, retornei ao apartamento e saí para mais uma volta, desta vez mais breve, pelo Centro da cidade. Fui até o fim da Júlio de Mesquita, caminhei pela Moraes Salles, entrei na José Paulino e, ao descer até a Glicério pela Ferreira Penteado um rastro de vômito, excrementos e restos de comida me levou a um bando de uns dez mendigos na entrada do Poupatempo. Ouvi que os moradores de rua haviam até sido expulsos de Campinas para cidades vizinhas em ônibus da prefeitura e realmente era difícil encontrar algum pedinte pelas ruas da cidade, mas enquanto escrevo isso lembro do boato de que algumas destas pessoas foram assassinadas em ocasiões diferentes a marretadas por algum serial killer (dá para usar esse termo aqui?), então acho que isso justifica o tamanho do grupo - e, infelizmente, agora suspeito que os boatos sobre o assassino sejam reais.

Passei por eles, cruzei a Glicério e continuei pela Ferreira Penteado. Perto da Irmã Serafina vi um homem baixinho de longe e, mal acreditei era o mesmo rapaz da noite anterior:
- Amigo, tem algum trocado pra eu comprar uma pinga?
- Acho que você me pediu isso nessa noite, lá no Cambuí!
- Deve ter sido! Eu tento me livrar dessa merda, mas não é fácil.... eu não uso droga, olha - ele diz, enquanto mostra os braços e as mãos com os olhos marejados.
- Tá tudo bem, fica tranquilo, toma aí - eu disse e entreguei um real.
- Obrigado, eu juro que isso não vai durar muito!
- Não esquenta não, cara.
Ele saiu em direção à Glicério e continuei pela Ferreira Penteado, desta vez sem mais nenhuma aleatoriedade no caminho até o apartamento.

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