Sunday, March 4, 2012

Um breve guia de turismo esportivo

Após algumas viagens feitas para assistir partidas de futebol em outras cidades e pela experiência acumulada no Majestoso, pensei em rabiscar algumas orientações básicas para quem quer viajar e ver jogos. Tudo isso que escreverei parece bem óbvio, mas nem sempre é fácil lembrar de alguns detalhes - e eu mesmo ainda consigo cometer uns e outros deslizes, apesar de deixar recomendações para os outros. Com o tempo vou aprender mais e mais macetes, mas pelo menos os marinheiros de primeira viagem que chegarem aqui através do Google já vão ter alguma base para suas viagens.

Escolha de partidas
Caso simpatize com algum time, tente assistir alguma partida sua como mandante para que seja mais fácil comprar ingressos. Porém, caso ela vá jogar de visitante na cidade pela qual você passará (algo possível em cidades com concentração alta de clubes, como Buenos Aires e Londres), esta é uma boa oportunidade para ver a torcida deste time como visitante - geralmente estes torcedores fazem uma festa melhor, porém deixa-se de conhecer o estádio desta equipe. Clássicos serão discutidos abaixo.

Hospedagem
O ideal é ficar num ponto acessível ao estádio, se possível, numa distância que permita voltar a pé quando encerrados os noventa minutos de jogo - assim não há problemas com engarrafamentos e ônibus/metrô lotados. Se for mais de um jogo, tente ficar num local estratégico, mais ou menos entre os dois ou mais campos. Antes da hospedagem, inclusive, é bom conversar com funcionários do hotel ou albergue para descobrir se eles conseguem a compra de ingressos - uma facilidade em viagens curtas e/ou em que o estádio a ser conhecido tenha capacidade limitada. Caso queira fazer tours, ver museus ou até assistir à partida com uma excursão, consulte a equipe do estabelecimento pois há a possibilidade de que eles façam esses serviços.

Ingressos
Caso não tenha recorrido aos funcionários do hotel, tente ir ao estádio um dia antes da partida para conhecer o caminho até lá, conferir o espaço e visitar o museu (se houver). Além disso, quem é sócio de seu clube pode perder o hábito de comprar entradas na bilheteria, assim pode encontrar uma fila gigantesca ou até ficar sem meio de entrar em partidas de grande público.

Assim não, poxa
É importante também conferir o setor que será ocupado no estádio: se o turista pretende ver a partida, fotografar o estádio e os grupos locais, é melhor ficar em uma das laterais do campo. Se quer economizar ou ficar no meio da organizada/barra/grupo ultra local, então é melhor procurar um ingresso da cabeceira da torcida local - geralmente os grupos que mais animam o estádio ocupam esse setor.

No estádio
Alguns cuidados para o dia do jogo: chegar com antecedência para ter certeza de não perder o início da partida e, talvez, até assistir a entrada de algum grupo. Alguns cuidados prévios são recomendados: lembrar de não vestir cores do rival ou do adversário do dia. Por exemplo: se o Coritiba enfrenta o Grêmio no Couto Pereira, não vá usar vermelho por esta ser a cor do Atlético Paranaense. Então o mais fácil é simplesmente usar algo da cor da torcida cujo setor será ocupado - ou, se quiser, compre algum artigo do time abaixo.

Na Arena da Baixada respeita-se o local marcado no ingresso. Não sei de outro estádio do Brasil que siga isso por enquanto, mas creio que seja algo corriqueiro nos estádios europeus mais modernos - pelo menos nos setores com cadeiras. De qualquer forma, é bom se informar a respeito disso em caso de desconfiança de bom comportamento da torcida local.

Sobre dinheiro, prefira andar com notas pequenas e dinheiro trocado. Em caso de uso de transporte público, isso facilita muito - assim como na compra de bebidas e comidas dentro ou nos arredores do estádio. Além disso, se quiser se misturar com a torcida local, fique atento aos vendedores ambulantes que trabalham perto do campo. Sempre há alguém vendendo algum boné, camiseta ou até camisa de jogo falsificada - mais um motivo para andar com dinheiro vivo.

Clássicos
Clássicos são mais complicados devido à grande procura por ingressos. Há também a questão do risco de incidentes e brigas, mas isto não se restringe a partidas que envolvem rivalidade - assistir um Cruzeiro x Flamengo, por exemplo, é um jogo que apresenta certo risco apesar de serem clubes geograficamente isolados. As soluções para estes dois problemas são cautela com a compra do ingresso e cuidado na hora de andar nas redondezas do estádio: tentar andar com a torcida, evitar pontos isolados e dar preferência a avenidas/vias mais movimentadas.

Aleatoriedades
- É interessante provar comidas diferentes nos estádios, como o tradicional (porém cada vez menor) tropeiro do Mineirão, o caldo de cana do Majestoso, o clandestino lanche de pernil do Morumbi ou beber um copo de café dos estádios gaúchos - achei inusitado isso, apesar de beber muito café - e outros lanches incomuns. Só não vale se empolgar e estragar a viagem - como meu fígado é uma piada, aprendi com muitas ressacas, enjoos e dores de cabeça que alguns limites foram feitos para serem respeitados.

Lanche de pernil, hoje só no mercado negro do Morumbi
- Não economize com a máquina fotográfica. Comprei uma máquina porcaria pensando em evitar prejuízo em caso de estrago causado pela chuva, por um possível esbarrão ou até por um roubo, mas nada disso jamais aconteceu. O que aconteceu, no entanto, foi a perda de todas as fotos que tirei no estádio do River Plate quando o aparelho travou e queimou o cartão de memória. Basta um bom planejamento para fugir da época de chuvas e, como falei acima, evitar pontos em que há pouco movimento e pode-se fotografar bem e em segurança.

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